O pé boto pode ser tratado no Hospital Pediátrico de Coimbra através do método de Ponseti, uma técnica simples, não cirúrgica, com taxas de sucesso superiores a 95 por cento, mas muitos pais da região Centro continuam a desconhecer que o tratamento pode ser feito perto de casa.
O pé boto é uma deformidade que afecta um a seis recém-nascidos em cada mil nascimentos e é tratável, na quase totalidade dos casos, sem recurso a cirurgia, com uma taxa de sucesso superior a 95 por cento. Ainda assim, na região Centro, alguns pais continuam a desconhecer que este tratamento pode ser feito no Hospital Pediátrico de Coimbra (Centro Hospitalar de Coimbra, EPE).
"O Serviço de Ortopedia do Hospital Pediátrico é especializado no tratamento de deformidades congénitas complexas e foi um dos serviços pioneiros no país na aplicação do método de Ponseti para tratamento do pé boto. Esta técnica é muito simples e eficaz. No entanto, um número considerável de pais da região Centro continua sem saber que o tratamento pode ser feito aqui, em Coimbra, e acaba por levar os filhos a centros longínquos, muitos deles menos diferenciados. Frequentemente isso acontece porque a informação disponível na internet é escassa", revela o director do Serviço de Ortopedia do Hospital Pediátrico, Jorge Seabra.
De acordo com o especialista, cada vez mais o pé boto é detectado no diagnóstico pré-natal, sem que haja necessidade de intervenção imediata após o parto. "No Hospital Pediátrico, temos uma grande experiência no tratamento do pé boto pelo método de Ponseti e entendemos que as mães podem estar com os seus filhos no período fundamental do pós-parto imediato. Pensamos que o tratamento ao pé boto pode ser iniciado apenas uma ou duas semanas depois do nascimento, sem qualquer prejuízo para a criança", sublinha Jorge Seabra.
Com uma taxa de êxito muito elevada, o método de Ponseti reduz para uma percentagem residual (menos de cinco por cento) o número de crianças que precisam de ser sujeitas a cirurgia.
"Trata-se de um tratamento por gessos sucessivos, tal como método que anteriormente utilizávamos, mas uma modificação na manipulação articular e na sucessão de procedimentos, com utilização de talas por um período mais longo ( três ou quatro anos) permitiu um decréscimo brutal da percentagem de casos que necessitam de cirurgia, que era superior a 40 por cento com outros métodos”, explica Jorge Seabra.
“O método de Ponseti, que tem sido utilizado por nós desde 2002, levou a uma redução drástica da necessidade de cirurgia com a obtenção de excelentes resultados em tudo comparáveis aos de outros centros mundialmente conhecidos", frisa o especialista.
De resto, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pediátrico é o único centro legalmente reconhecido em Portugal para dar formação pós-especialidade em Ortopedia Infantil. O serviço tem apoiado directamente projectos de tratamento do pé boto pelo método de Ponseti em Cabo Verde e Angola, iniciando-se agora uma colaboração em Moçambique.
"É uma cooperação que começou a ser cultivada com Cabo Verde em 1992 e que, no caso do tratamento do pé boto pelo método de Ponseti, tem tido um assinalável êxito, mesmo em crianças que já ultrapassaram muito a idade em que ele deve ser iniciado. No Hospital Baptista de Sousa, do Mindelo, em Cabo Verde, por exemplo, chegou a ser tratada com sucesso uma menina de sete anos", conta Jorge Seabra. Na África ocidental, a incidência do pé-boto em crianças é três vezes superior à da Europa.