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Centro Hospitalar de Coimbra 
CHC realiza primeiro implante coclear híbrido em Portugal 
Medicina portuguesa está agora capacitada para dar resposta independentemente do nível de surdez de um doente.

A equipa do Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar de Coimbra (CHC, EPE) realizou o primeiro implante coclear híbrido em Portugal. A nova técnica permite devolver audição aos doentes que, embora impedidos de se submeterem a um implante coclear convencional, não conseguem ter uma vida normal mesmo com o apoio de próteses auditivas.

Com a nova técnica praticada no CHC, EPE, a Medicina portuguesa está, pela primeira vez, capacitada para dar resposta aos doentes independentemente do seu nível de surdez. Se o implante coclear convencional e a prótese auditiva permitem restituir a audição respectivamente a doentes com surdez profunda e a doentes com surdez moderada/severa, agora o implante coclear híbrido vai permitir cobrir o espectro de doentes em que estes métodos terapêuticos são praticamente ineficazes.

"Quando a surdez atinge uma determinada dimensão em que as próteses já não conseguem ajudar, mas em que há alguma audição, impedindo o implante coclear comum, o implante coclear híbrido, que conjuga estes dois métodos, é a solução que procurávamos", explica o director do Serviço de Otorrinolaringologia do CHC, EPE, Carlos Ribeiro.

O Centro Hospitalar de Coimbra volta, assim, a ser pioneiro em Portugal na área dos implantes cocleares, juntando-se uma vez mais ao pelotão da frente das unidades europeias especializadas na área. "Do ponto de vista emocional, este avanço é uma lufada de ar fresco, porque pela primeira vez em Portugal podemos dizer que, qualquer que seja o problema de surdez, nós podemos ajudar", salienta Carlos Ribeiro.

"Havia um hiato na resposta que a Medicina tinha para oferecer: havia doentes em grande sofrimento, a quem a prótese auditiva dava uma resposta insuficiente para o dia-a-dia, mas que mesmo assim, não podiam submeter-se ao implante coclear convencional, que lhes anularia a audição que já possuíam para as frequências graves. É para estes doentes que surge o novo implante", explica Carlos Ribeiro. De resto, adianta, mesmo que um desses doentes fosse submetido a um implante coclear comum, o que aconteceria era que perderia a audição das frequências graves que já possuía. "Esta perda da frequência grave é significativa. Os sons graves dão harmonia, percepção de ritmo e até conforto", sublinha o mesmo especialista.

Por outro lado, refere, a aplicação do novo método terapêutico, requer um nível de exigência adicional relativamente ao implante convencional. Para além de utilizar a estimulação eléctrica característica de um implante coclear comum, o novo método recorre ainda à estimulação sonora, própria da prótese auditiva. "Este implante torna-se mais exigente na sua realização cirúrgica, necessitando de um elevado nível de especialização da equipa que o realiza", frisa Carlos Ribeiro.

O mesmo grau de exigência é tido em consideração aquando da selecção dos doentes, submetidos a "critérios de selecção muito rigorosos". "Só avançamos se a pessoa tiver surdez profunda nas frequências agudas - as frequências da palavra - e audição nas frequências graves, nunca por outros critérios, por exemplo, de nível estético", explica o director do Serviço de Otorrinolaringologia. Outro dos requisitos é que o nível de surdez tenha já estabilizado. "Não podemos colocar um implante coclear híbrido em pessoas que tenham doenças que nos façam pensar que a surdez será progressiva", salvaguarda Carlos Ribeiro.

O dia 24 de Novembro marca assim, uma nova etapa da Otorrinolaringolodia portuguesa, protagonizada pela equipa do Serviço de Otorrinolaringologia do CHC, EPE. O primeiro doente a beneficiar de um implante coclear híbrido foi uma mulher, de 47 anos. "Era uma paciente com audição nas frequências graves, pelo que não era candidata ao implante clássico, mas que não tinha qualquer qualidade de vida, porque a prótese que possuía era manifestamente insuficiente", conta Carlos Ribeiro.

Com mais de meio milhar de implantes cocleares convencionais realizados "ao nível dos melhores resultados mundiais" desde há mais de duas décadas, o Serviço de Otorrinolaringologia volta assim a afirmar-se no contexto médico nacional e europeu. "O Serviço de Otorrinolaringologia do CHC, EPE deu mais um passo de relevância nacional com a colocação do primeiro implante coclear híbrido, que se traduz em ganhos em saúde dificilmente quantificáveis e que demonstra mais uma vez que se trata de um serviço de excelência que integra profissionais de reconhecida competência técnica", reconhece Paula de Sousa, vogal executiva do Conselho de Administração do CHC, EPE.

Fonte de Informação:
Ideias Concertadas