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Joana Rosmaninho-Salgado 
UC estuda fármaco que pode prevenir a obesidade 
Testes em modelos animais já estão em curso.

Investigadores do Grupo de Neuroendocrinologia e Neurogénese do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC) concluíram que a vildagliptina, que integra uma classe de medicamentos actualmente usada na diabetes tipo 2, pode contribuir para prevenir a obesidade. Joana Rosmaninho-Salgado, investigadora do CNC, estudou a importância da enzima DPP-IV e da sua inibição pela vildagliptina no tecido adiposo (ou seja na gordura) e demonstrou que este medicamento evita a acumulação de gordura nos adipócitos (células que armazenam a gordura).

«Usando um modelo de células que funcionam como adipócitos observou-se que, na presença da enzima DPP-IV, que existe naturalmente no tecido adiposo, ocorria um aumento de células de gordura. Mas na presença da vildaglipina, o inibidor específico da DPP-IV, ocorria uma diminuição desse grupo de células gordas ou seja o fármaco permite que as células não acumulem gordura», explica Joana Rosmaninho-Salgado.

Com os resultados preliminares já obtidos, a investigadora conclui que «podemos estar na presença de um novo alvo terapêutico para regular a formação do tecido adiposo».

Joana Rosmaninho-Salgado acredita que o uso do fármaco poderá ser útil em situações de pré-obesidade, podendo evitar a passagem para o estado de obesidade em pessoas com excesso de peso, em combinação com outras medidas, nomeadamente cuidados com a alimentação e realização de actividade física.

O facto de já serem conhecidos os efeitos adversos do fármaco, que já é comercializado para combater a diabetes, poderá acelerar o processo para a utilização generalizada da vildagliptina na prevenção da obesidade mas, mesmo assim, esta só se perspectiva a longo prazo, após a realização de testes em animais e ensaios clínicos em humanos. «Actualmente, estamos a tentar apurar as doses necessárias para o fármaco produzir efeito em modelos de células de gordura e já iniciamos alguns estudos preliminares em modelos animais», refere Joana Rosmaninho-Salgado.

A incidência e a prevalência quer da pré-obesidade quer da obesidade têm vindo a aumentar na União Europeia e, também, em Portugal, constituindo um importante problema de saúde pública. Em Portugal, estudos indicam que cerca de 50% da população em idade adulta tem excesso de peso, sendo que mais de 35% estará numa situação de pré-obesidade e 15% será obesa. Portugal é ainda um dos países europeus com maior prevalência de obesidade infantil. Considera-se que os custos directos da obesidade absorvam 3,5% das despesas totais da saúde em Portugal.

Esta investigação está a ser financiada através do prémio monetário associado à Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência que Joana Rosmaninho-Salgado recebeu em 2009. A investigadora pretende com este estudo compreender melhor a fisiologia do tecido adiposo que, apesar de estudada, continua a oferecer muitas incógnitas.

Fonte de Informação:
Universidade de Coimbra