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Laboraratório Chimico 
D.R. Emanuel Brás
Laboratório Chimico ganha prémio ENOR de Arquitectura 
Galardão distingue, pela primeira vez, um projecto de reabilitação de um edifício.

O projecto de reabilitação do Laboratorio Chimico, que actualmente acolhe o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, ganhou o Prémio de Arquitectura ENOR Portugal.

A categoria "Portugal" do galardão ibérico distingue, assim, na sua IV edição, o trabalho dos arquitectos João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Désirée Pedro, premiados ex-aequo com os arquitectos responsáveis pelo projecto do Mercado da Comenda, no Alentejo.

"É uma grande satisfação para mim e para toda a equipa do Museu da Ciência ver reconhecida a qualidade arquitectónica do projecto através de mais um prémio, desta vez internacional, de arquitectura", sublinha o director do Museu da Ciência da UC, Paulo Gama Mota.

De acordo com o responsável, o trabalho desenvolvido pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Desirée Pedro é "de notável sensibilidade e qualidade". "Souberam interpretar, com grande inteligência e sensibilidade, o valor cultural que o edifício representa - trata-se do mais antigo laboratório-edifício de química do mundo - e a necessidade de lhe atribuir uma nova valência em que o ambiente de contemporaneidade deveria estar bem patente. E uma conjugação destas é certamente difícil de concretizar com sabedoria", frisa Paulo Gama Mota. "Para a equipa do Museu da Ciência é muito inspirador poder trabalhar na divulgação da ciência num edifício assim", refere.

D.R. Emanuel Brás

Um desenho para o inesperado

"O projecto de reabilitação do Laboratorio Chimico implicou um desenho disponível para o inesperado. Neste projecto, afastamo-nos do simples confronto entre passado e o presente, reforçando a ideia de um tempo híbrido, e estabelecendo uma síntese entre tradição e modernidade. Reforça-se a coexistência de tempos históricos, com a preservação das respectivas marcas", explica o arquitecto João Mendes Ribeiro.

Esta foi a primeira vez que o prémio foi atribuído a um projecto de reabilitação de um edifício. "No Laboratorio Chimico, utiliza-se a preexistência como matéria de projecto, explorando e potenciando as qualidades que o edifício possui. Cada característica particular ou descoberta no decorrer da obra, foi pretexto para uma inflexão no projecto, no sentido de a integrar no desenho do espaço", revela João Mendes Ribeiro.

Segundo o arquitecto, o Prémio ENOR é de "grande interesse" para Portugal, porque "constitui uma das poucas oportunidades" dos arquitectos darem a conhecer os seus trabalhos. "Os projectos apresentados a concurso, tal como nas edições anteriores, são projectos de qualidade, onde se percebe que os autores estão preocupados com a profissão e com as respostas às necessidades da sociedade actual", explica.

No contexto internacional, acrescenta o responsável, a arquitectura portuguesa tem assinaláveis virtualidades, nomeadamente pelo seu "grande rigor compositivo e de resposta programática". "Esta relação entre rigor formal e uma prática construtiva (ainda) vincadamente artesanal e a redução dos meios e dos elementos formais a par da revitalização da performance modernista constitui a matriz que nos finais dos anos oitenta se afirma como central na arquitectura portuguesa", reconhece João Mendes Ribeiro.

D.R. Emanuel Brás

Fonte de Informação:
Ideias Concertadas